Sábado de manhã. Eu acordei e já era quase 1 da tarde, então me levantei e tomei uma chuveirada. Fiz a barba, mas ainda não tinha nada combinado para aquela noite.
Tinha ido dormir tarde noite passada, assistindo Intercine. Não foi um filme bom, mas era o que tinha a fazer para economizar pro sábado. Hoje era dia de sair e arranjar alguém.
Qualquer alguém. Já faz quase uma semana desde Mariana e nenhuma mulher têm respondido aos meus apelos internéticos.
Antes de ver o filme tinha mandado uma série de mensagens aleatórias para todos os meus contatos. Meu MSN de 200 contatos offlines, todos mulheres estava cheio de presenciar tal fato. Bem, era difícil que não recebessealgod e volta.
Liguei o pc, enquanto comia uma tigela amolecida de sucrilhos, gotejando leite na mesa. Bingo. Morena_linda38. Não lembro a mensagem que mandei para ela, mas ela dizia: hahahaha, você é o maior!
O maior, e nem me conhecia por inteiro. É isso aí, mulheres gostam de exagerar e puxar o saco, sem ao menos conhecer. Trinta e oito? Deve ser uma tia desesperada.
Mas olhei a foto. tinha um rosto bonito. Provavelmente de uns 10 anos atrás, mas um rosto é uma das poucas coisas que podem fazer ou destruir o charme de uma mulher. E estava online.
Falei com ela com gentileza, como me é pertinente nesses casos. Conversamos um pouco sobre trabalhos, vida pessoal, e por fim, restaurantes. Mas ela preferia algo mais solto, como uma boite.
Lindo. Maravilha mesmo. Um lugar escuro e sem comida, e geralmente esses lugares são caros e tocam músicas insuportáveis. Mas as garotas usam roupas mínimas então creio que não será de todo mau.
Saias curtas. Que maravilha. Ela poderia ter sugerido um baile funk. Seria mais rápido, talvez. Eu iria mais cedo, de qualquer jeito. Ficar um pouco no bar.
Tudo combinado, pus minha camisa de boite, a laranja de botão, tinha até tomado banho. Passei perfume. Essa noite, errar não era opção. Mas logo me arrependi quando senti o cheiro do frasco se misturar ao do desodorante aplicado com displiscência.
Bom, ia ser assim mesmo. Na pista, com os suores, iria passar, ou tornar-se pior. Não iria trocar mais de camisa, de jeito algum. Peguei duas rodelas de limão e fui passando debaixo do braço. Depois que saiu o cheiro, passei um pouco de água e sabonete, e estava pronto.
Saí do apartamento e me dirigi à padaria na frente do prédio. Tomei uma tubaína e um misto quente, para não passar fome na boite e, além do mais, eu sei como eu fico quando bebo de estômago vazio.
Tubaína de guaraná, mas parecia de tutti frutti. Bebi rapidamente e saí correndo quando avistei meu ônibus vindo. Sempre pago antes para não correr o risco de perdê-lo. Um ônibus perdido significa uma hora de espera, onde moro. Subi, apressado, e sentei-me no fundo, esfregando as mãos pela noite que estava por vir.
Desci na Rua Tabatinga. Ficava a duas quadras da boite onde encontraria a morena. O nome dela, ela disse, era Cíntia. Nome de puta, mas achei melhor não comentar.
Cheguei antes do combinado e pedi uma cerveja ao barman. Sentei-me ali mesmo no bar e podia ver as jovens "causando" e "fritando" na "baladinha". Senti uma ereção a caminho.
Apoiei o copo frio nas calças e isso surtiu o efeito desejado. Consegui tomar umas duas cervejas antes de ver a moça chegar. Saia curtíssima, vermelha, blusa prateada e de costas nuas. Espalhafatosa, ainda mais para a idade. Devia estar desesperada.
Ela foi chegando perto e eu percebi porque a foto era antiga: músculos por toda a parte, até nas bochechas. Não sabia mais o que fazer. Eu estava atrás de uma mulher, e não de um fisiculturista.
Ela era magra, está bem. Mas toda musculosa, e aquela roupa que não cobria nada começaram a me dar arrepios. Cumprimentei-a e fui educado, muito mais do que o de costume porque veja bem, ela era bem mais forte do que eu. Eu podia facilmente perder um dente.
Mas perdi a noite. Disse que ia ao banheiro e me mandei dali o mais rápido possível. No caminho, esbarrei numa menina, também morena, magra e de boca irresistivelmente carnuda. Olhou-me provocando, me chamou de tio, e me empurrou contra a parede.
E quem sou eu pra resistir a um ímpeto desses? De qualquer forma, eu estava me sentindo estranhamente passivo, aquela noite, então apenas deixei que ela fizesse de mim o que bem entendesse. Não seria uma noite perdida, afinal.
Ela me apertava com força, como se fosse um homem. Essas jovens de hoje, vão muito à academia, pensei comigo mesmo. Mas estava bom, gostava um pouco dessa coisa masoquista, de ser controlado, ainda mais por uma moça que deveria ter metade da minha idade.
E bonita, ainda por cima.
Vamos sair daqui?
Ela sugeriu, eu acatei. E acatei feliz, aquele não era lugar pra gente da minha idade. Fomos pra rua e o ar gelado nos deu uma bofetada na cara. Fomos nos desenrolando embolados pela rua até que senti uma mão sobre meu ombro.
- Posso ver as carteiras de identidade de vocês? - chegou intimidando um policial mal-encarado. A menina era quase do meu tamanho, imaginei que deveria ter seus vinte anos, e não entendi direito a desconfiança do policial. Estava calmo. O mesmo parecia não acontecer com minha companheira: suava muito e estava com olhos alterados. Entregamos-lhe as carteiras.
Ela tinha dezesseis anos. DEZESSEIS! Meu deus, eu tinha sido pego em flagrante com um filhote de mulher. Naquele momento, só conseguia pensar numa coisa: me fodi. O sujeito soube lidar bem com a situação: me deu um chute nas bolas e me enfiou na viatura. A menina, ele deixou lá, no meio duma avenida escura às 3 da matina.
Veio fazendo piadinhas sobre a vida na cadeia, sobre os estupradores, sobre limpar o chão com uma bola de ferro presa aos pés com uma corrente. Minhas bolas estavam doendo muito, aho que não serviriam mais por uns dois anos. Minha noite forapor água abaixo.
Na delegacia, tentei me explicar como pude. Não sabia da idade dela (isso era verdade), ela parecia mais velha (também verdade), nem cheguei a fazer nada mais do que dar uns amassos com a menina (ainda verdade) e nem ia fazer mais que isso (bingo!). Eles não tinham razões pra duvidar de mim, mas, porra, eu tinha sido pego em flagrante.
- Essa noite, tu vai passar no xadrez. Pra aprender a tomar cuidado com quem você sai bolinando por aí.
Nhéén, cléc. E lá estava eu numa cela diminuta, suja e mal-cheirosa. Se tivesse um pc em vez de um enorme turco peludo, ia ser igualzinha ao meu apartamento.
O turco parecia um daqueles carrascos gordos da Idade Média. Quando entrei estava ajeitando suas bolas dentro da cueca ex-branca que vestia, acompanhada de uma camiseta azul, que deixava nus os pêlos em seus sovacos, no peito e nas costas. Usava um cavanhaque que ressaltava seu nariz adunco e seu olhar doentio.
- Boa noite, doçura, sou Agamenon...
Quase imediatamente, o suor frio desceu pelas minhas costas, empapando minha camisa e inutilizando o efeito das rodelas de limão, que no momento pareciam longínquas como nunca. Ia ter que passar a noite com aquela criatura, e só tinha um beliche no lugar. Tomei coragem e sentei do lado dele. Talvez Agamenon fosse um cara legal, porquê não? Talvez ele estivesse preso por não pagar uma multa de trânsito ou por qualquer outra coisa diretamente oposta ao estupro de homens com camisas laranjas.
Agamenon levantou o colchão e me sugeriu uns cigarros de palha. Aceitei um, e ele pegou outro. Começamos a conversar, livremente. Ele disse que ainda não tínhamos nos cumprimentado, e me estendeu a mão. Apertei-a e ele não quis mais largar a minha mão. Com um dedo tentou alisá-la, e eu rapidamente usei de força para tirar minha mão da dele.
A situação tava começando a pesar pro meu lado. E eu estava cansado tão cansado, só queria que a manhã chegasse logo. Deitei encolhido no beliche, com a bunda encostada na parede, só por precaução. E fiquei torcendo para o turco não ser lá muito fã de dormir de conchinha.
O cansaço me fez dormir. Um dormir muito ruim e precavido, mas ainda assim, um sono. Rápido. Uns trinta minutos depois, sinto uma mão num local indevido. Era Agamenon. Levantei-me num sobressalto e levei uma queda do beliche, de costas. Fingi que não doeu, me pus de pé e fiz um escândalo, gritando pelos guardas, enquanto Agamenon corria atrás de mim como uma fera.
Ele me pegou. Senti o cavanhaque áspero roçando na minha nuca, e uma porção de outras coisas que preferia não sentir. Gritei, gritei a valer de verdade, até que os guardas apareceram e decidiram que ser violado por um turco que cheirava a coalhada azeda era uma pena maior do que eu merecia, e de qualquer forma já era quase de manhã, então eles concordaram em me soltar. Para tristeza de Agamenon, que ainda ficou atirando beijos pra mim através das barras de ferro. Novo acesso de suores frios.
Me veio na cabeça uma música brega que citava seu nome, ecoando, Agamenon, Agamenon. Que triste. Quase cinco da manhã e estava ali, no meio da rua, em frente a uma delegacia num bairro fétido. Talvez fosse melhor ficar por ali e esperar o dia amanhecer para voltar.
Sentei-me na calçada. Em uns dez minutos um veículo com as luzes muito fortes apareceu na esquina, dobrando velozmente em direção à parede da delegacia. A jamanta estraçalhou a recepção e uns cinco homens desceram com armas de grosso calibre. Um deles veio até mim, gritando para eu deitar no chão. Obedeci, e fiquei com seu pé em minha cabeça. Logo os outros saíram da delegacia, acompanhados de Agamenon. Seus olhos castanhos me encaram e brilharam. Ele ordenou que me trouxessem para perto dele e encerrou tudo com uma piscadela. Estava em poder de Agamenon, o conquistador.
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segunda-feira, 26 de março de 2007
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Joseval ataca de novo
Com desgosto, Joseval Siqueira abriu a carteira e entregou pela janela trinta e cinco reais ao taxista. O motorista agradeceu e arrancou em seu carro amarelo em busca de mais um passageiro. Deixou Joseval plantado no meio da rua, limpando a poeira - levantada pelos pneus de seu táxi - acumulada em seu paletó surrado. Assim que terminou de bater as mãos em seu tórax, caminhou em direção à portaria do prédio antigo que o abrigava desde que se mudara da zona leste. Seu interior era escuro e o mofo revestia as paredes. Os fungos proliferavam-se graças à umidade excessiva do cimento cheio de infilitrações. Não podia se queixar, era o melhor que seu dinheiro poderia pagar.
Subiu as escadas até seu quarto no quinto andar. A primeira coisa que fez ao entrar no cômodo foi ligar seu computador. Mesmo com seu salário de semi-desempregado, mantinha o vício de utilizar a Internet. Seu alvo eram os sites de encontros pessoais. Acessava usando um daqueles provedores que pagam ao usuário. Uma vez conectado, começava a passear por orkut, MySpace, Multiply, FindADate e tudo o que pudesse conectá-lo a outras mulheres, que não a desgostosa Silvinha. E, claro, com o MSN aberto.
Nenhuma mensagem nova. - Estou fodido mesmo - balbuciou em um grunhido difícil de entender. Ainda vadiou por uns momentos, pensando no fracasso da noite com Silvinha. Resolveu tocar uma para uma dessas celebridades de quinta categoria de seu tempo sem glamour.
Um pouco cansado do exercício no banheiro, pegou na geladeira uma coxa abandonada de frango e foi se despindo. Deixou o osso sobre o rádio relógio e foi dormir.
*****
No dia seguinte, fiquei pensando na frustração da noite anterior. só havia aumentado depois da maldita masturbação. que jeito horrível de se acabar uma noite: pensando em fazer sexo com uma big brother. tinha de arranjar alguma pessoa hoje.
Entrei no dating service. Nada ainda. Então tomei uma chuveirada pra tirar o ranço de ontem. Vesti uma cueca limpa. E comecei a procurar uma garota com um perfil menos...Silvinha.
De fato, não consegui. o tipo de gente que usa estes sites é bem joseval & silvinha, pares perfeitos. então, vamos lá. abordei uma tal de mariana ruiva 29. estava online e provavelmente receberia resposta logo.
Tiro e queda. Em uns dois minutos tinha uma mensagem em caixa. " Nossos perfis combinam - odeio quando elas usam esse sorrisinho-pontuação - Também adoro macarrão. Vamos numa cantina italiana?" ao menos ela era direta. Sem complicação.
Vi suas fotos. não era bonita. mas também não era uma silvinha. marcamos às 20 horas e eu contava meu dinheiro que seria gasto. morando sozinho conseguia gastar mais com esse tipo de divertimento, mesmo recebendo pouco.
Dava pra um talharim e um refrigerante. Quem sabe até uma torta holandesa. Confirmei com a rapariga, seja o que deus quiser e tomara que ela escolha uma cantina furreca.
Era um local agradável. E o melhor, barato. Às oito horas eu já estava esperando e cinco minutos depois ela chegou. Pontual, pelo menos. Levantei-me e cumprimentei-a educadamente, como Al Pacino faria. Ela deu um sorriso largo e sentou-se.
Com as pernas ligeiramente abertas. Como Al Pacino faria. Sim, temos muito em comum. Marianaruiva29. Já não era ruiva. Já não devia ter 29 também.
Fui direto.
- Ruiva? não vejo fios que possam dizer isso. Gosta de pintar os cabelos?
- Oh, é verdade. Aquilo no site é meio desatualizado. Na verdade até ajuda. Atrai muitos homens firmes assim como você.
- Uau. Começou elogiando. Me senti como Al Pacino. Agradeci e logo a conversa fluiu agradavelmente, sobre como é ruim levar bolos e sobre toda aquela baboseira de internet. Esperávamos despreocupados pelo talharim.
Chegaram os pratos. Enormes. Novelos e novelos de massa submersa em um molho vermelho e grosso. Vinho tinto. Pão de alho, meu deus, Pão de alho! Estavamos indo muito bem. Ora a quem estou enganando. O que não estaria muito bem com uma cesta cheinha de pão de alho?
Cheguei à conclusão de que o preço cobrado era módico. O prato valia muito mais. Nossa, que local excelente. E mais excelente ainda era o modo que Mariana tratava a comida. Comia devagar, e quanto mais comia, mais abria as pernas, roçando em mim e me olhando de maneira tarada.
Precisva agir como Al Pacino. - Vamos para o meu apartamento. Agora. - Ela gostou da idéia, e sorriu depois de um gole de vinho.
Pedi a conta. Me ofereci pra pagar. Me sentia generoso. É o tipo de sentimento que me pega desprevenido. Ela insistiu em rachar. Ah, uma feminista. Os machistas podem dizer o que quiserem, mas nesse ponto as feministas são demais. Me pegou pelo braço, disse Vamos. Segura. Implacável. Incrível como ao longo da noite ela foi ficando mais bonita. Essa moça, ela é como Al Pacino.
No caminho fui dizendo que minha casa não era legal, que era meio escura e que ela não poderia gostar. Ela insistiu querendo conhecê-la e eu não tive saída. Tinha que ser infalível. Fazê-la não perceber as imperfeições do local. Tarefa difícil. Mas era minha única chance. Vamos lá.
Estávamos no elevador. tudo bem, tudo bem. Tem espelho, ela ficou ajeitando o cabelo, tirando uma salsinha do dente, nem reparou nos palavrões escritos no painel a ponta de chave. passei o braço ao redor dela antes de abrir a porta do apartamento. Mais que um gesto intuitivo, era estratégico. Tentei encobrir a visão dos aposentos com meu corpo.
No fim, não consegui esconder o apartamento. Ela fez que não ligava e foi logo tirando o casaco que cobria seus ombros. Senti que dessa vez a coisa ia sair bem. Abri a janela e sentei-me a cama, tirando minha gravata.
- Não, Joseval. Deixa que eu tiro. - Ela sentou-se ao meu lado na cama e senti-me conquistador como Al Pacino. Deixei que ela atirasse a gravata no chão. Sexy. Puxa, você não tem um abajur? Ela perguntou. Não tinha. Liguei o computador. Pronto, baby. A tela ilumina. Improvisação nas horas dificeis. Como Mc Gyver. Não é Al Pacino, mas ao menos é um cara famoso.
Mariana olhou meio assustada pro computador. Deve ter pensado o quão conquistador barato eu era. Virou-se bruscamente para mim, e acabou chocando seu braço contra minha testa. Seu anel acabou arrancando um pedacinho de pele do supercílio e começoui a sangrar. Ela ficou desesperada, pedindo desculpas e procurando algum algodão, um remédio. Para meu lamento, foi procurar na cômoda.
Ao abrir a primeira gaveta, ao passo que eu implorava para que ela não abrisse, ela achou, desposados de qualquer jeito, o relógio velho e o ossinho da coxa de frango. Gritou, pulando para trás.
Virou pra mim, os olhos brilhando. Joseval, que porra é essa? Ossinho de frango, meu bem. Só um ossinho de frango. Tirei da mão dela, carinhoso, joguei no lixo do banheiro. Todo gentileza. Um gentleman. Um superhero. Ia, heroicamente, salvar o clima. Busquei um vinho pra nós dois. Pus uma música. A tela do pc colaborava, fornecendo uma meia-luz digna de cabaré.
E eu bem queria que ela fosse realmente uma puta, como tinha demonstrado no restaurante, abrindo suas pernas e roçando nervosamente em minha canela. Mais uma vez ela relevou as más condições do meu doce e mofado lar. Talvez estivesse precisando de sexo tanto quanto eu e isso era bom para nós dois. Começamos a nos agarrar, e sem romantismo, ela foi logo descendo seu vestido, revelando estar sem soutien e sem calcinha. A noite era, definitivamente, minha.
Por baixo do vestidinho, uns peitos medianos . Não, Al Pacino não teria peitos assim, mas sejamos francos, a essa altura dos acontecimentos pensar no Al Pacino poderia estragar tudo. Então pensei na Loira que dança tango com o Al Pacino, e de fato, Mariana tinha pernas de dançarina de tango e, melhor, volúpia de dançarina de tango. E eu. Que fazer? Eu apalpava como um ceguinho.
E nossa, como ela se movia, lânguida, seus seios bailando tango em minhas mãos, mas, mais embaixo, em meu colo, o encontro de nossas coxas proporcionava um samba que nenhuma mulata da Sapucaí conseguiria dançar. Pelo menos não na avenida.
Eu mestre-sala. Ela, Porta-bandeira. Porta-bandeira, que trocadilho malicioso isso não daria. E agora, olhos fechados, ela já não via o apartamento, as meias sujas, a louça por lavar, a luz neônica que emanava a tela do computador, sequer me via, devia ver Al Pacino, James Bond, quem quer que habitasse seus sonhos molhados, mas eu via tudo, cada contorção, cada suspiro.
Malditos cupins. Decisivos para o fim da minha breve experiência sexual com Mariana. O que eu recebia do meu provedor de internet não fora suficiente para combater a praga que roía o estrado da minha cama. Agora estava eu, nu, ao chão, com meu ferimento no supercílio estancado, e com uma lasca de madeira na perna, observando a lascívia deslizar porta afora com Mariana, enfurecida, ainda se vestindo.
Moça corajosa, é preciso dizer. Sair por aquele bairro, àquela hora amarrando alças em um vestido que, eu bem sabia, não tinha nada por baixo. Não era muito compreensiva com relação aos cupins mas era corajosa. Não fossem os peitos, poderia ser Al Pacino.
Subiu as escadas até seu quarto no quinto andar. A primeira coisa que fez ao entrar no cômodo foi ligar seu computador. Mesmo com seu salário de semi-desempregado, mantinha o vício de utilizar a Internet. Seu alvo eram os sites de encontros pessoais. Acessava usando um daqueles provedores que pagam ao usuário. Uma vez conectado, começava a passear por orkut, MySpace, Multiply, FindADate e tudo o que pudesse conectá-lo a outras mulheres, que não a desgostosa Silvinha. E, claro, com o MSN aberto.
Nenhuma mensagem nova. - Estou fodido mesmo - balbuciou em um grunhido difícil de entender. Ainda vadiou por uns momentos, pensando no fracasso da noite com Silvinha. Resolveu tocar uma para uma dessas celebridades de quinta categoria de seu tempo sem glamour.
Um pouco cansado do exercício no banheiro, pegou na geladeira uma coxa abandonada de frango e foi se despindo. Deixou o osso sobre o rádio relógio e foi dormir.
*****
No dia seguinte, fiquei pensando na frustração da noite anterior. só havia aumentado depois da maldita masturbação. que jeito horrível de se acabar uma noite: pensando em fazer sexo com uma big brother. tinha de arranjar alguma pessoa hoje.
Entrei no dating service. Nada ainda. Então tomei uma chuveirada pra tirar o ranço de ontem. Vesti uma cueca limpa. E comecei a procurar uma garota com um perfil menos...Silvinha.
De fato, não consegui. o tipo de gente que usa estes sites é bem joseval & silvinha, pares perfeitos. então, vamos lá. abordei uma tal de mariana ruiva 29. estava online e provavelmente receberia resposta logo.
Tiro e queda. Em uns dois minutos tinha uma mensagem em caixa. " Nossos perfis combinam - odeio quando elas usam esse sorrisinho-pontuação - Também adoro macarrão. Vamos numa cantina italiana?" ao menos ela era direta. Sem complicação.
Vi suas fotos. não era bonita. mas também não era uma silvinha. marcamos às 20 horas e eu contava meu dinheiro que seria gasto. morando sozinho conseguia gastar mais com esse tipo de divertimento, mesmo recebendo pouco.
Dava pra um talharim e um refrigerante. Quem sabe até uma torta holandesa. Confirmei com a rapariga, seja o que deus quiser e tomara que ela escolha uma cantina furreca.
Era um local agradável. E o melhor, barato. Às oito horas eu já estava esperando e cinco minutos depois ela chegou. Pontual, pelo menos. Levantei-me e cumprimentei-a educadamente, como Al Pacino faria. Ela deu um sorriso largo e sentou-se.
Com as pernas ligeiramente abertas. Como Al Pacino faria. Sim, temos muito em comum. Marianaruiva29. Já não era ruiva. Já não devia ter 29 também.
Fui direto.
- Ruiva? não vejo fios que possam dizer isso. Gosta de pintar os cabelos?
- Oh, é verdade. Aquilo no site é meio desatualizado. Na verdade até ajuda. Atrai muitos homens firmes assim como você.
- Uau. Começou elogiando. Me senti como Al Pacino. Agradeci e logo a conversa fluiu agradavelmente, sobre como é ruim levar bolos e sobre toda aquela baboseira de internet. Esperávamos despreocupados pelo talharim.
Chegaram os pratos. Enormes. Novelos e novelos de massa submersa em um molho vermelho e grosso. Vinho tinto. Pão de alho, meu deus, Pão de alho! Estavamos indo muito bem. Ora a quem estou enganando. O que não estaria muito bem com uma cesta cheinha de pão de alho?
Cheguei à conclusão de que o preço cobrado era módico. O prato valia muito mais. Nossa, que local excelente. E mais excelente ainda era o modo que Mariana tratava a comida. Comia devagar, e quanto mais comia, mais abria as pernas, roçando em mim e me olhando de maneira tarada.
Precisva agir como Al Pacino. - Vamos para o meu apartamento. Agora. - Ela gostou da idéia, e sorriu depois de um gole de vinho.
Pedi a conta. Me ofereci pra pagar. Me sentia generoso. É o tipo de sentimento que me pega desprevenido. Ela insistiu em rachar. Ah, uma feminista. Os machistas podem dizer o que quiserem, mas nesse ponto as feministas são demais. Me pegou pelo braço, disse Vamos. Segura. Implacável. Incrível como ao longo da noite ela foi ficando mais bonita. Essa moça, ela é como Al Pacino.
No caminho fui dizendo que minha casa não era legal, que era meio escura e que ela não poderia gostar. Ela insistiu querendo conhecê-la e eu não tive saída. Tinha que ser infalível. Fazê-la não perceber as imperfeições do local. Tarefa difícil. Mas era minha única chance. Vamos lá.
Estávamos no elevador. tudo bem, tudo bem. Tem espelho, ela ficou ajeitando o cabelo, tirando uma salsinha do dente, nem reparou nos palavrões escritos no painel a ponta de chave. passei o braço ao redor dela antes de abrir a porta do apartamento. Mais que um gesto intuitivo, era estratégico. Tentei encobrir a visão dos aposentos com meu corpo.
No fim, não consegui esconder o apartamento. Ela fez que não ligava e foi logo tirando o casaco que cobria seus ombros. Senti que dessa vez a coisa ia sair bem. Abri a janela e sentei-me a cama, tirando minha gravata.
- Não, Joseval. Deixa que eu tiro. - Ela sentou-se ao meu lado na cama e senti-me conquistador como Al Pacino. Deixei que ela atirasse a gravata no chão. Sexy. Puxa, você não tem um abajur? Ela perguntou. Não tinha. Liguei o computador. Pronto, baby. A tela ilumina. Improvisação nas horas dificeis. Como Mc Gyver. Não é Al Pacino, mas ao menos é um cara famoso.
Mariana olhou meio assustada pro computador. Deve ter pensado o quão conquistador barato eu era. Virou-se bruscamente para mim, e acabou chocando seu braço contra minha testa. Seu anel acabou arrancando um pedacinho de pele do supercílio e começoui a sangrar. Ela ficou desesperada, pedindo desculpas e procurando algum algodão, um remédio. Para meu lamento, foi procurar na cômoda.
Ao abrir a primeira gaveta, ao passo que eu implorava para que ela não abrisse, ela achou, desposados de qualquer jeito, o relógio velho e o ossinho da coxa de frango. Gritou, pulando para trás.
Virou pra mim, os olhos brilhando. Joseval, que porra é essa? Ossinho de frango, meu bem. Só um ossinho de frango. Tirei da mão dela, carinhoso, joguei no lixo do banheiro. Todo gentileza. Um gentleman. Um superhero. Ia, heroicamente, salvar o clima. Busquei um vinho pra nós dois. Pus uma música. A tela do pc colaborava, fornecendo uma meia-luz digna de cabaré.
E eu bem queria que ela fosse realmente uma puta, como tinha demonstrado no restaurante, abrindo suas pernas e roçando nervosamente em minha canela. Mais uma vez ela relevou as más condições do meu doce e mofado lar. Talvez estivesse precisando de sexo tanto quanto eu e isso era bom para nós dois. Começamos a nos agarrar, e sem romantismo, ela foi logo descendo seu vestido, revelando estar sem soutien e sem calcinha. A noite era, definitivamente, minha.
Por baixo do vestidinho, uns peitos medianos . Não, Al Pacino não teria peitos assim, mas sejamos francos, a essa altura dos acontecimentos pensar no Al Pacino poderia estragar tudo. Então pensei na Loira que dança tango com o Al Pacino, e de fato, Mariana tinha pernas de dançarina de tango e, melhor, volúpia de dançarina de tango. E eu. Que fazer? Eu apalpava como um ceguinho.
E nossa, como ela se movia, lânguida, seus seios bailando tango em minhas mãos, mas, mais embaixo, em meu colo, o encontro de nossas coxas proporcionava um samba que nenhuma mulata da Sapucaí conseguiria dançar. Pelo menos não na avenida.
Eu mestre-sala. Ela, Porta-bandeira. Porta-bandeira, que trocadilho malicioso isso não daria. E agora, olhos fechados, ela já não via o apartamento, as meias sujas, a louça por lavar, a luz neônica que emanava a tela do computador, sequer me via, devia ver Al Pacino, James Bond, quem quer que habitasse seus sonhos molhados, mas eu via tudo, cada contorção, cada suspiro.
Malditos cupins. Decisivos para o fim da minha breve experiência sexual com Mariana. O que eu recebia do meu provedor de internet não fora suficiente para combater a praga que roía o estrado da minha cama. Agora estava eu, nu, ao chão, com meu ferimento no supercílio estancado, e com uma lasca de madeira na perna, observando a lascívia deslizar porta afora com Mariana, enfurecida, ainda se vestindo.
Moça corajosa, é preciso dizer. Sair por aquele bairro, àquela hora amarrando alças em um vestido que, eu bem sabia, não tinha nada por baixo. Não era muito compreensiva com relação aos cupins mas era corajosa. Não fossem os peitos, poderia ser Al Pacino.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Encontro
em parceria com a czarina romena.
Traga a carta de vinhos
minha companhia alonga-se na demora
meu relógio e eu, sozinho
os minutos passam e as flores murcham
aquilo corroendo as paredes, eu sei, é o tempo
das paredes ulcerosas brota a impaciência
nada chega.
Traga a carta de vinhos.
Chilenos, argentinos e brasileiros. Só. É um restaurante latino-americano?
Que seja. traga um de rótulo bonito. Um que não tenha rolha.
Não há rótulos bonitos em latinoamérica. Só índios - disse-me o insolente maître.
Então me traga uma puta pra me fazer companhia.
Aqui não. Dois prédios à direita, sim?
Sim, certo. Então uma água, um camembert, uma taça de dignidade?
Servimos apenas estes vinhos. Espera de nós dignidade?
Silvinha chega enfim ao restaurante. Me encontra afundado entre o mâitre e as migalhinhas de pão. Estava conhecendo-a agora. E já não tinha uma boa impressão dela. Além de atrasada, estava feia. Parecia que havia saído de um salão de beleza enquanto ainda penteavam seu cabelo.
Ela amarrou a bolsa na cadeira e se sentou com um ruido abafado. Oi! Desculpa o atraso viu? é que rolaram uns imprevistos e… enfim! cheguei!
Olhei-a com escárnio. Como podia se atrasar tanto pro nosso primeiro encontro? Resolvi ser cruel.
- Hoje a conta é sua, baby.
Ela passou a mão no cabelo, e não respondeu se sim ou se não. Além de tudo devia ser avarenta. O vinho chegou. Era chileno. Tinha nome de santo.
Vamos conversar, pensei. Olhei para o vinho e fiz uma careta. Parecia péssimo. Era suave, ainda por cima.
- Quais os imprevistos que enfrentou?
- Ahn, bem. A… a minha mãe ligou pedindo pra buscar ela, porque… porque ela tinha sido assaltada.
Em outras palavras, ela passou tempo demais no banho e usou o secador pra construir aquele Frankenstein que ela chamava de penteado.
- Foi você quem fez esse penteado?
- Não… estive no salão antes de tudo isso. Gostou? - disse enquanto sorria e alisava a cabeleira loira
- Horrível.
O sorriso esvaiu rapidamente de sua face. O silêncio na mesa contrastava com o tilintar de garfos e derramar de líqüido nos copos das outras mesas. Bebia o vinho calmamente. Não estava tão ruim assim.
Eu ia estourar seu cartão de crédito, ela sabia disso.
Ela começou a parecer indignada, mas não sabia bem o que fazer. Torcia e destorcia o guardanapo no colo, fez que ia falar, não falou. Veio o mâitre: Já sabem o que vão pedir?
- Já sabemos, querida?
- Não, por que você não escolhe? - quis ser gentil. Sua gentileza iria lhe custar uns 500 reais.
- Primeiro, petit gateaux. Um pra cada. Depois, lagosta e paella. De acordo, amor?
O maître olhou meio assustado. Talvez por pedir uma sobremesa de entrada. Mas queria doce e não queria rodeios.
- Sim, Joseval… - assentiu resignada.
O maître saiu feliz.
Ela começou a me olhar com ódio. Era divertido ver a pálpebrazinha de baixo tremelicar. Quando o garçom trouxe os dois bolinhos de chocolate como entrada, ela já estava à beira das lágrimas.
Ela comeu. Pareceu um pouco melhor. Chocolate e mulheres, vá entender.
- Está gostando? Eu estou achando ótimo. Ah, roubaram o que de sua mãe? Ela está bem?
- Poderia ser melhor. Roubaram pouca coisa, só a bolsa. O problema são os documentos mesmo. A propósito, acho que não tenho dinheiro para pagar a conta toda. - tentou revidar.
- Nem eu. Também fui assaltado.
Choque.
- vamos cancelar os pedidos.
- Está louca? Estou morto de fome! Você tem idéia do quanto se atrasou?
- Eu te pago um cachorro quente lá fora! Não. Vou. Lavar. Pratos. Não vou. Ponto.
Ela levantou, foi atrás do mâitre. Pediu desculpas e a conta.
- Desculpe, senhora. Mas é norma da casa não cancelar pedidos de pratos que já foram preparados.
- MAS EU NÃO TENHO DINHEIRO! - gritou, chamando a atenção de todo o restaurante. Ainda por cima era indiscreta. Resolvi deixar o restaurante de fininho.
Passei pela porta giratória e pedi um táxi. Entrei e mandei o motorista acelerar.
Ainda deu pra ver Silvinha correndo atrás atabalhoada, de salto alto, uivando um Filho da Puta!!!!!! assim, com diversas exclamações mesmo. É. Descabelada, avarenta e mal-educada. Desculpe Silvinha, mas eu e você… não era pra ser.
Traga a carta de vinhos
minha companhia alonga-se na demora
meu relógio e eu, sozinho
os minutos passam e as flores murcham
aquilo corroendo as paredes, eu sei, é o tempo
das paredes ulcerosas brota a impaciência
nada chega.
Traga a carta de vinhos.
Chilenos, argentinos e brasileiros. Só. É um restaurante latino-americano?
Que seja. traga um de rótulo bonito. Um que não tenha rolha.
Não há rótulos bonitos em latinoamérica. Só índios - disse-me o insolente maître.
Então me traga uma puta pra me fazer companhia.
Aqui não. Dois prédios à direita, sim?
Sim, certo. Então uma água, um camembert, uma taça de dignidade?
Servimos apenas estes vinhos. Espera de nós dignidade?
Silvinha chega enfim ao restaurante. Me encontra afundado entre o mâitre e as migalhinhas de pão. Estava conhecendo-a agora. E já não tinha uma boa impressão dela. Além de atrasada, estava feia. Parecia que havia saído de um salão de beleza enquanto ainda penteavam seu cabelo.
Ela amarrou a bolsa na cadeira e se sentou com um ruido abafado. Oi! Desculpa o atraso viu? é que rolaram uns imprevistos e… enfim! cheguei!
Olhei-a com escárnio. Como podia se atrasar tanto pro nosso primeiro encontro? Resolvi ser cruel.
- Hoje a conta é sua, baby.
Ela passou a mão no cabelo, e não respondeu se sim ou se não. Além de tudo devia ser avarenta. O vinho chegou. Era chileno. Tinha nome de santo.
Vamos conversar, pensei. Olhei para o vinho e fiz uma careta. Parecia péssimo. Era suave, ainda por cima.
- Quais os imprevistos que enfrentou?
- Ahn, bem. A… a minha mãe ligou pedindo pra buscar ela, porque… porque ela tinha sido assaltada.
Em outras palavras, ela passou tempo demais no banho e usou o secador pra construir aquele Frankenstein que ela chamava de penteado.
- Foi você quem fez esse penteado?
- Não… estive no salão antes de tudo isso. Gostou? - disse enquanto sorria e alisava a cabeleira loira
- Horrível.
O sorriso esvaiu rapidamente de sua face. O silêncio na mesa contrastava com o tilintar de garfos e derramar de líqüido nos copos das outras mesas. Bebia o vinho calmamente. Não estava tão ruim assim.
Eu ia estourar seu cartão de crédito, ela sabia disso.
Ela começou a parecer indignada, mas não sabia bem o que fazer. Torcia e destorcia o guardanapo no colo, fez que ia falar, não falou. Veio o mâitre: Já sabem o que vão pedir?
- Já sabemos, querida?
- Não, por que você não escolhe? - quis ser gentil. Sua gentileza iria lhe custar uns 500 reais.
- Primeiro, petit gateaux. Um pra cada. Depois, lagosta e paella. De acordo, amor?
O maître olhou meio assustado. Talvez por pedir uma sobremesa de entrada. Mas queria doce e não queria rodeios.
- Sim, Joseval… - assentiu resignada.
O maître saiu feliz.
Ela começou a me olhar com ódio. Era divertido ver a pálpebrazinha de baixo tremelicar. Quando o garçom trouxe os dois bolinhos de chocolate como entrada, ela já estava à beira das lágrimas.
Ela comeu. Pareceu um pouco melhor. Chocolate e mulheres, vá entender.
- Está gostando? Eu estou achando ótimo. Ah, roubaram o que de sua mãe? Ela está bem?
- Poderia ser melhor. Roubaram pouca coisa, só a bolsa. O problema são os documentos mesmo. A propósito, acho que não tenho dinheiro para pagar a conta toda. - tentou revidar.
- Nem eu. Também fui assaltado.
Choque.
- vamos cancelar os pedidos.
- Está louca? Estou morto de fome! Você tem idéia do quanto se atrasou?
- Eu te pago um cachorro quente lá fora! Não. Vou. Lavar. Pratos. Não vou. Ponto.
Ela levantou, foi atrás do mâitre. Pediu desculpas e a conta.
- Desculpe, senhora. Mas é norma da casa não cancelar pedidos de pratos que já foram preparados.
- MAS EU NÃO TENHO DINHEIRO! - gritou, chamando a atenção de todo o restaurante. Ainda por cima era indiscreta. Resolvi deixar o restaurante de fininho.
Passei pela porta giratória e pedi um táxi. Entrei e mandei o motorista acelerar.
Ainda deu pra ver Silvinha correndo atrás atabalhoada, de salto alto, uivando um Filho da Puta!!!!!! assim, com diversas exclamações mesmo. É. Descabelada, avarenta e mal-educada. Desculpe Silvinha, mas eu e você… não era pra ser.
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